A rejeição era provavelmente um mecanismo com o propósito de manter o indivíduo sob a proteção de um grupo

Desde que o ser humano passou a viver em sociedade, tornou-se extremamente atrelado e dependente do seu meio e, principalmente das relações com os indivíduos nele inserido. Ser excluído ou ter sua participação negada em determinadas situações colocava em cheque sua importância naquele grupo, e ser rejeitado poderia significar sua possível exclusão e, fora dele, dificilmente sobreviveria. É provável que aí esteja o embrião da sensação de perda de confiança e sentimentos negativos decorrentes de uma rejeição seja uma demissão do trabalho ou uma separação afetiva.

Dessa forma, a humanidade evoluiu com mecanismos para evitar a rejeição a qualquer custo, uma vez que a mesma representava uma grande ameaça ao indivíduo, bem como para a preservação da espécie. O cérebro trabalha como uma espécie de “circuito fechado”, ou seja, nada de espaços vazios ou sem explicação, sendo assim, algumas de nossas reações mais instintivas, encrustadas no sistema nervoso central desde os primórdios, são atribuías a diferentes motivos, fazendo geralmente o caminho mais curto e por vezes, doloroso. Ou seja, sente-se e, depois atribui uma razão “plausível” aquele sentimento.

Dessa forma, na rejeição é comum ter pensamentos negativos de culpa, autocríticas muito pesadas de forma a menosprezar a si próprio, diminuir sua significância no meio e entender (“racionalmente”) que é um membro dispensável. Nesta hora, é aconselhável policiar estes raciocínios, buscar não se culpar para que consiga ver a situação de uma forma mais ampla, natural, clara e lógica.

Não, não é fácil, mas com o tempo esse sentimento deve se diluir em outras coisas do cotidiano. Porém, quando as consequências emocionais da rejeição é muito frequente, impedindo sempre de olhar para o mundo com mais clareza, criam-se estruturas cada vez mais consistentes para que o indivíduo se feche e desenvolva problemas psicológicos mais difíceis de tratar.