Pilares do desenvolvimento psicológico na formação do “eu” fundamentados no ambiente familiar: Winnicott

Três pilares do pensamento humano para a formação do “eu”

Nascido na Inglaterra do final do século XIX, Donald Woods Winnicott foi médico um especializado em pediatria e, mais tarde, em psicanálise. Contribuiu – e ainda contrubui – para o entendimento das forma em que cada indivíduo enfrenta o mundo. Uma de suas linhas de pensamento desperta o interesse entre a relação da mãe e filho no processo do desenvolvimento da personalidade humana. Neste raciocínio, todo ser humano tem condições biológicas para o desenvolvimento, porém o ambiente tem papel fundamental em como será o aproveitamento desse potencial. O médico foi por duas vezes presidente da British Society of Psychoanalysis (Sociedade Britânica de Psicanálise).

Para Winnicott, para se lograr um desenvolvimento completo toda criança passa por diferentes fases de dependência rumo à independência, até atingir a fase adulta e estabelecer um modelo que seja uma junção entre copiar os pais e definir uma identidade pessoal. Pontuando as ideias de Winnicott sobre a relação com a família na formação do indivíduo, há três pilares do desenvolvimento psicológico na formação do “eu”, em que se apoia no ambiente familiar para um desenvolvimento saudável de modo a preparar uma pessoa para a vida.

Seriam os três principais pontos observados pelo psicanalista, neles: 1) O ambiente tem, ou teria, disposição e maior condições de favorecer o desenvolvimento; 2) Supõem-se que a família seja uma constante que não sofra muitas variações, sendo essencial para uma criança que necessita de seu entorno estável, regular, amigável e, principalmente, não caótico; 3) A família, de modo geral, costuma ter uma condição maior de tolerância ao lidar com períodos em que o ambiente é testado, onde a criança precisa experimentar alguma espécie de confronto. Para tanto, Winnicott cria o conceito de good enough mother – mãe suficiente boa-, o que não é o mesmo que mãe perfeita, uma vez que, na prática isso não é possível.

Na adolescência, entra o papel do pai como objeto de autoridade, entretanto, se na fase de criança não lhe fora propiciado o ambiente favorável é muito possível que a pessoa reviva situações emocionais mal resolvidas. Sendo assim, para o psicanalista inglês, apenas e somente o ambiente familiar é o verdadeiro responsável por formar um indivíduo que encare a vida como algo que vale à pena ser vivido.

Embora Winnicott tenha aceitado teorias na psicanálise de Sigmund Freud, principalmente quando se refere a existência do inconsciente, a ideia de transferência, na recriação do ambiente familiar inicial, entre outras; para ele o papel dos sonhos, por exemplo, não tem o significado tão relevante como para Freud. “A Psicanálise clássica – que é como ele chama – é para pacientes que tiveram um início de vida que os capacitaram a desenvolver o complexo de Édipo. Entretanto, algumas pessoas tiveram, no seu início, condições que dificultaram seu desenvolvimento emocional e necessitariam de outro ambiente”, afirma o médico inglês.