OMS reconhece potencial de vício em videogames

A próxima edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde incluirá o uso compulsivo de videogames. Trata-se de um comportamento chamado de Gambling Disorder que, ao prejudicar a vida pessoal, familiar, educacional, ocupacional do indivíduo é caracterizado como uma desordem. O padrão de excesso deve ser contínuo ou recorrente por pelo menos 12 meses. Ainda assim, em casos severos a duração dos sintomas pode ser encurtada para dar início ao tratamento.

Entende-se que incluir a desordem na CID-11 – Código Internacional de Doenças 11 – possibilita caminhar em direção a importantes propostas de tratamento. A inclusão reconhece os estudos realizados na busca de critérios de diagnóstico com base nos sintomas apresentados. Na revisão anterior da publicação – de 1992 – questionava-se a real necessidade dessa nova classificação, uma vez que os sintomas e diagnóstico são muito parecidos aos do vício em apostas.

Uma pesquisa com cerca de 20 mil pessoas levou em consideração 7 critérios para identificar problemas relacionados ao videogame:

  • pensar em jogar videogame durante o dia inteiro;
  • o aumento no tempo gasto em games;
  • jogar videogames para esquecer da vida real;
  • outras pessoas já tentaram sem sucesso reduzir o uso do jogo;
  • sensação negativa quando não se pode jogar;
  • brigas com familiares e amigos sobre o tempo gasto em jogos;
  • e o negligenciamento de outras atividades importantes, como os estudos e o trabalho, por causa dos games.

Hoje, o maior foco de gravidade em problemas com videogames compreende os países asiáticos, tais como China e Japão, onde existem centros para a reabilitação de jovens com sérias dificuldades de controlar a compulsão por jogos.

Fonte: ICD-11 (Mortality and Morbidity Statistics)