Psicoterapeuta critica consumismo e vaidade de empresários

Segundo o psicoterapeuta Flávio Gikovate, a maioria dos brasileiros bem-sucedidos são tomados por consumismo e vaidade e são “muito mais elitistas e segregadores do que em outros países mais desenvolvidos”.

Autor de “Mudar – Caminhos para a Transformação Verdadeira”, da MG Editores, Gikovate alerta que a competição excessiva do meio empresarial destrói os laços de amizade e prejudica o grupo, que deixa de cooperar entre si. O estresse e a falta de companheirismo prejudicam a vida como um todo de quem dedica um terço dela ao trabalho. Deixando florescer apenas consumismo e vaidade.

O psicoterapeuta vê o consumismo também como uma forma de competição. A palavra vaidade tem a mesma origem etimológica de “vazio”, por tratar-se de algo efêmero. A produção tão endeusada atualmente, muitas vezes é deixada de lado pelo consumismo. Pessoas de grande poder aquisitivo valorizam mais o que podem ostentar do que as coisas que são capazes de produzir. Como exemplo Gikovate cita Epiteto, filósofo romano do início da Era Cristã: “rico não é quem tem tudo e sim aquele que não deseja nada”.

Outro fato relevante é a dificuldade de se desligar do mundo corporativo mesmo depois da aposentadoria. Com uma vida totalmente direcionada ao trabalho, muitos profissionais não tem nenhum hobbie ao qual se dedicar quando passam a ter mais tempo livre. Situação que piora quando a empresa é da família, e o pai passa o comando para a geração seguinte. Quando não volta para as suas atividades, o empresário ocioso passa a fazer parte de algum conselho para garantir que tudo continue bem. Deixando de aproveitar a vida até mesmo depois de aposentado.

Consumismo, vaidade e segregação

Em um país onde o sucesso desperta mais inveja do que admiração, pessoas bem sucedidas afastam-se não só dos amigos, mas também de certos parentes. O que diminui a qualidade de vida e a torna menos interessante. Daí a exaltação feita em bairros populares, de que mesmo com pouco dinheiro é possível divertir-se muito. Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, o aumento repentino de renda não é acompanhado pelo aumento repentino de cultura. Assim os mais ricos criam uma redoma para separar os mais pobres, tornando necessidades coisas supérfluas como a utilização de carro mesmo para distâncias mais curtas e a exigência de tratamento especial, incluindo passe livre em filas. Um comportamento segregador que não contribui para o crescimento coletivo, apenas eleva os padrões de consumismo e vaidade.