O que vem primeiro: dependência do Smartphone ou depressão?

imagem de uma menina em uma mesa mexendo no smartphone e uma xicara ao lado o foco se mantem no telefone

Um estudo realizado em setembro de 2019, liderado por Matthew Lapierre*, da Universidade do Arizona, dedicou-se a olhar para a relação entre dependência do Smartphone e depressão e solidão, entre adolescentes mais velhos. Inicialmente, o foco do estudo se voltou para o embrião deste vínculo. Ou seja, a dependência do celular surge antes, levando à depressão e à solidão, ou na direção oposta; o indivíduo que sofre de depressão acaba por criar dependência do aparelho.

A pesquisa apontou para 346 adolescentes entre 18 e 20 anos, questões como: “Eu entro em pânico sempre que não estou perto do meu Smartphone”. Logo, os participantes precisavam dar uma nota de 1 a 4 para o que sentissem em relação à afirmação. Neste mesmo esquema, foram lidas frases projetadas para avaliar a solidão dos pesquisados. O público para a pesquisa foi escolhido porque eles cresceram em grande parte com Smartphones e, também, estão em um estágio de idade e de transição na vida em que são vulneráveis ​​a maus resultados de saúde mental, como a depressão.

“O principal argumento é que a dependência de Smartphone prediz diretamente sintomas depressivos posteriores”, disse Lapierre. Segundo Pengfei Zhao, co-autor do estudo com Lapierre, “se a depressão e a solidão levassem à dependência de Smartphone, poderíamos reduzir a dependência ajustando a saúde mental das pessoas”. Entretanto, não foi o que se verificou, ou seja, o vício vem antes.

O vínculo entre dependência de Smartphone e depressão e solidão tem surgindo por meio de pesquisas que, por sua vez, têm interesse em saber quais efeitos colaterais essas relativamente novas  tecnologias podem causar posteriormente no desenvolvimento dos adolescentes. Trabalhos futuros devem se concentrar em entender melhor por que essa relação existe.

*Professor assistente do Departamento de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Comportamentais, Universidade do Arizona.

Artigo original: Which comes first: Smartphone dependency or depression?

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