Tratamento para Alcoolismo

O alcoolismo é uma doença crônica que provoca intoxicação pelo consumo excessivo de álcool, podendo levar até mesmo à morte. Alcoólatras que não deixam de beber têm expectativa de vida reduzida em pelo menos 15 anos.

Alcoolismo é uma doença crônica que causa intoxicação pelo consumo excessivo de álcool e pode levar até mesmo à morte

O problema evolui como a dependência de qualquer outra droga. Acontece uma tolerância progressiva aos efeitos da substância, o que leva o usuário a consumir cada vez mais pra lograr a mesma sensação de antes. Os efeitos posteriores ao consumo tornam-se gradativamente piores, até graves crises de abstinência, obrigando o indivíduo a voltar a consumir a droga compulsivamente. O chamado círculo vicioso.

O fígado é responsável por metabolizar até 98% da droga. Um único drinque contém em média de 12 a 15 gramas de álcool. Um adulto de 70 kg consegue metabolizar no máximo 10 gramas por hora, de modo que em poucos minutos depois da ingestão, a concentração da droga no cérebro já é equivalente a quantidade de sangue. A popular “amnésia alcoólica” acontece porque o álcool interfere nos circuitos cerebrais encarregados de arquivar acontecimentos recentes.

Por ser uma droga depressora do sistema nervoso central, os efeitos do álcool são contrabalançados com o aumento de atividade estimulante. Quando o corpo pára de receber a droga abruptamente, o efeito depressivo deixa de existir, mas o cérebro continua a induzir as mesmas cargas de euforia, daí a abstinência. A hiperexcitabilidade sem a característica depressora provoca tremores, distúrbios de percepção, convulsões e delirium tremens.

Ao entrar no organismo, a droga sofre uma oxidação que permite uma liberação de energia equivalente a 7,1 Kcal por grama de álcool. Em um consumo excessivo isso significa 50% das calorias necessárias. Daí a chamada “anorexia alcoólica”, que geralmente vem acompanhada de deficiências nutricionais de proteína e vitaminas do complexo B.

Diversos estudos demonstraram que as pessoas capazes de resistir ao efeito embriagante do álcool, estatisticamente, apresentam maior tendência a tornarem-se dependentes. Por outro lado, indivíduos que apresentam sintomas de sonolência e entorpecimento ao invés de euforia, quase nunca desenvolvem alcoolismo crônico. O alcoolismo é uma doença ocasionada basicamente por fatores sociais e emocionais, no entanto, tem fortíssimo componente genético.

O alcoolismo não tem cura, mas pode ser tratado

Segundo estudos, apenas 20% dos alcoólicos conseguem manter-se afastados permanentemente do álcool sem nenhum tipo de ajuda. Acompanhamento psiquiátrico e grupos de ajuda são importantes para preservar a distância do álcool a longo prazo. Das pessoas que acompanham os Alcoólicos Anônimos (AA) e conseguem ficar afastadas do álcool por um ano, 44% provavelmente permanecerão abstinentes durante mais um ano. Este índice aumenta para 91% para aqueles que permaneceram abstinentes e acompanharam o AA durante 5 anos ou mais.

Além da predisposição genética, fatores como o ambiente social e a saúde emocional também podem influenciar no surgimento do alcoolismo. Em muitos casos a dependência do álcool está vinculada a transtornos psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade. Em situações assim, é fundamental que se trate ambos simultaneamente. Os transtornos psiquiátricos podem ser um fator desencadeador de recaídas.

O alcoolismo não tem cura, mas pode ser tratado de forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida para o dependente. O passo fundamental para iniciar o tratamento é ao mesmo tempo a atitude mais difícil: reconhecer que está doente. É o próprio alcoólatra quem precisa reconhecer precisa de ajuda.

O apoio de amigos e familiares é importante durante todo o tratamento do alcoolismo. Após o processo de desintoxicação feito sob supervisão médica para reduzir os efeitos da abstinência e aliviar os sintomas da intoxicação, o dependente precisa de acompanhamento para o resto da vida.

Para evitar recaídas, grupos de ajuda como os Alcoólicos Anônimos e o acompanhamento de um psiquiatra são fundamentais. Um medicamento antietanol que causa mal estar após a ingestão de álcool, previne o primeiro gole. Quando o alcoolismo estiver relacionado a outras doenças psiquiátricas, medicamentos específicos podem ser administrados.

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